Descubra como funciona o ciclo da cigarra e entenda por que esse inseto passa anos escondido no subsolo antes de viver apenas algumas semanas na superfície, protagonizando um dos fenômenos mais fascinantes da natureza.
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| Entenda o fascinante ciclo da cigarra, que passa anos no subsolo. |
Quando ouvimos o canto das cigarras durante os dias mais
quentes do ano, é difícil imaginar que esse som representa apenas uma pequena
parte de uma história que começou muitos anos antes. O ciclo da cigarra é um
dos mais fascinantes da natureza e impressiona cientistas e curiosos pela
combinação de paciência, adaptação e sobrevivência. Enquanto muitos insetos
vivem poucos meses, as cigarras passam a maior parte da vida escondidas debaixo
da terra, preparando-se para um breve período acima do solo.
A vida da cigarra começa quando a fêmea deposita os ovos em
pequenos cortes feitos nos galhos das árvores. Algumas semanas depois, os ovos
eclodem e surgem as pequenas ninfas. Elas caem no chão e imediatamente escavam
o solo, onde permanecerão durante anos. É justamente nesse ambiente subterrâneo
que ocorre a fase mais longa do ciclo da cigarra.
Durante esse período, a ninfa vive alimentando-se da seiva
retirada das raízes das plantas. Esse alimento fornece energia suficiente para
seu lento desenvolvimento. Dependendo da espécie, essa etapa pode durar entre
dois e cinco anos ou entre três e sete anos. Entretanto, algumas espécies
conhecidas como cigarras periódicas, encontradas na América do Norte,
permanecem enterradas por impressionantes 13 ou até 17 anos antes de aparecerem
na superfície.
Enquanto estão escondidas, as ninfas passam por diversas
mudas de exoesqueleto. Cada muda representa uma etapa importante do
crescimento, permitindo que o corpo acompanhe seu desenvolvimento. Durante
todos esses anos, elas permanecem protegidas dos predadores que vivem acima do
solo, embora ainda enfrentem ameaças subterrâneas, como fungos, parasitas e
animais escavadores.
Quando chega o momento certo, normalmente determinado pela
temperatura do solo e pelas condições ambientais, milhares de ninfas emergem
quase ao mesmo tempo. Esse fenômeno costuma ocorrer ao entardecer ou durante a
noite, reduzindo o risco de ataque por aves e outros predadores.
Depois de sair da terra, a cigarra procura o tronco de uma
árvore ou outra superfície vertical. Ali acontece uma das transformações mais
impressionantes do reino animal. A ninfa rompe o exoesqueleto, deixando para
trás uma casca vazia presa ao tronco. Aos poucos surge o inseto adulto,
inicialmente com corpo claro e asas ainda enrugadas.
Nas horas seguintes, as asas se expandem, endurecem e o
corpo adquire sua coloração definitiva. A partir desse momento, a cigarra está
pronta para voar e iniciar a fase adulta.
Apesar de tantos anos de preparação, essa etapa é
extremamente curta. Em geral, os adultos vivem entre duas e seis semanas.
Durante esse período, praticamente toda a energia acumulada durante os anos
passados no subsolo é utilizada para garantir a reprodução.
O canto característico da cigarra é produzido apenas pelos
machos. Diferentemente do que muitos imaginam, esse som não é gerado pelas
asas, mas por órgãos especiais chamados tímbalos, localizados nas laterais do
abdômen. A rápida contração desses órgãos produz vibrações intensas que
funcionam como um verdadeiro chamado para atrair as fêmeas.
Cada espécie possui um canto próprio, permitindo que machos
e fêmeas se reconheçam com facilidade. Em dias quentes, o coro das cigarras
pode alcançar volumes superiores a 100 decibéis, tornando-se um dos sons
naturais mais altos produzidos por insetos.
Depois do acasalamento, a fêmea utiliza seu ovipositor para
fazer pequenos cortes em galhos finos, onde deposita centenas de ovos. Pouco
tempo depois, tanto machos quanto fêmeas morrem, encerrando um ciclo iniciado
muitos anos antes.
Quando os ovos eclodem, as novas ninfas caem novamente ao
solo e enterram-se, reiniciando todo o processo. Esse ciclo ocorre
continuamente na maioria das espécies, garantindo a renovação das populações de
cigarras ao longo das gerações.
Além de sua curiosa história de vida, as cigarras
desempenham um papel importante nos ecossistemas. Ao escavarem galerias
subterrâneas, ajudam na aeração do solo, favorecendo a infiltração de água e o
desenvolvimento das raízes das plantas. Quando emergem em grande número,
tornam-se alimento para aves, lagartos, mamíferos e diversos outros animais,
contribuindo para o equilíbrio da cadeia alimentar.
As cascas deixadas presas às árvores também devolvem
nutrientes ao ambiente após sua decomposição. Da mesma forma, os corpos das
cigarras adultas enriquecem o solo com matéria orgânica depois de sua morte.
Muitas pessoas acreditam, de forma equivocada, que as
cigarras cantam porque o calor é excessivo ou porque anunciam chuva. Na
realidade, o canto está diretamente relacionado à reprodução. Como o
metabolismo desses insetos depende da temperatura, eles tornam-se mais ativos
nos dias quentes, quando as condições são ideais para encontrar parceiros e
garantir o sucesso da espécie.
Outro mito bastante difundido é que as cigarras são
perigosas para as pessoas. Na verdade, elas não picam, não mordem, não
transmitem doenças e são completamente inofensivas. Seu aparelho bucal é
adaptado apenas para retirar seiva das plantas.
O ciclo da cigarra é um extraordinário exemplo de como a
natureza trabalha em tempos diferentes daqueles aos quais estamos acostumados.
Enquanto os seres humanos costumam valorizar resultados imediatos, esse pequeno
inseto passa anos em silêncio, crescendo lentamente, para viver apenas algumas
semanas sob a luz do sol.
Sua história nos ensina que nem sempre o tempo de preparação
é menos importante do que o momento da realização. Pelo contrário, é justamente
esse longo período invisível que torna possível o breve espetáculo que vemos e
ouvimos durante o verão. Cada canto de uma cigarra representa anos de
desenvolvimento escondido sob a terra, lembrando que grandes ciclos da natureza
dependem de paciência, persistência e equilíbrio.
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